Comunidade Evangélica Rocha Viva

A Terapia Divina do Perdão

 

 

Não é fácil perdoar e mais difícil esquecer. Há certas pessoas que dizem: “posso até perdoar, mas esquecer, nunca!

” Entretanto, se perdoar é divino, errar é humano. Quem aprendeu a perdoar, estará sempre mais perto de Deus, e, conseqüentemente, da felicidade. É sabido que ninguém será feliz se acalenta no coração uma profunda raiz de amargura. O ódio nos torna infelizes, destruindo nossa capacidade de amar. Nos impossibilita de contemplar a beleza incomparável das maravilhas que Deus coloca á nossa disposição.

 

 

Jesus perdoou, e devemos perdoar também. Somos tentados a pregar um amor meramente teórico, mas não vivemos em sua inteireza. Dizem que o ódio está a um passo do amor, mas não deve ser assim. Devemos perdoar sem violentar a nossa personalidade. Façamo-lo na dependência de Deus. Somente ele poderá ajudar-nos a arrancar do nosso coração qualquer resto de amargura. O ódio envenena e mata. Todo ser humano, por ser humano, tem o direito de errar pelo menos uma vez. Infeliz, porém, será o ser humano que permanecer errando toda a existência. Um coração cheio de ódio é um coração debilitado e enfermo.

Assim como o ódio é um sentimento negativo, precisamos aprender a trocá-lo por outro sentimento positivo, que é o de perdão. Aquele que não perdoar, jamais será perdoado, ensina-nos a Palavra de Deus.

Anule essa elevada gama de negatividade dentro do seu contexto emocional e psicológico. Elimine literalmente o ódio, que é mais destrutivo do que as piores enfermidades, e aliás, é o fator etiológico para todo um comprometimento psicossomático. O ódio pode arrastar-nos à loucura; e o perdão ao paraíso. O ódio nasce apenas num coração doentio e numa personalidade deformada, que não experimentou ainda o significado de ser uma nova criatura em Cristo Jesus. Nós somos grandes pecadores aos olhos de Deus, e ele nos perdoa. Da mesma forma, devemos perdoar nossos inimigos e outros que nos causaram lágrimas e dores.

Há muito tempo, a imprensa norte-americana noticiou que certo rapaz, tendo cometido um crime bárbaro, foi sentenciado á morte. O irmão do criminoso, a quem o Estado devia relevantes serviços, procurou o Governador, pedindo-lhe que comutasse a pena. De posse do documento em que a comutação se encontrava, foi conversar com o seu irmão criminoso, e, pensando talvez que ia receber uma resposta muito auspiciosa, começou a perguntar:

- Que farias, meu irmão, se eu conseguisse-lhe o perdão?

A resposta foi pronta e rápida:

-Mataria o juiz que me condenou e todas as testemunhas.

Em virtude dessa resposta, o portador da comunicação da pena retirou-se deixando o seu irmão criminoso no cárcere.

Não tinha ele a condição de ser perdoado. Aqui, um princípio se estabelece: O indivíduo merece a punição, enquanto continua recalcitrando no propósito de continuar praticando o crime. Portanto, o perdão só deve ser merecido, mediante um genuíno arrependimento; é um princípio divino que se aplica a todos nós.

Quantos dos seus ofensores desejaram ser sinceramente perdoados e você não lhes deu essa oportunidade? Pense nisso! O perdão é divino tanto quanto o ódio é diabólico.

Precisamos encher nossos corações de bondade e compaixão cada vez maiores. Temos que nos guardar contra o juízo severo e pensamentos vingativos. Não podemos esperar perdão de Deus se não encontrarmos em nosso coração perdão para os nossos inimigos. Através do eterno amor de Deus, podemos adquirir, aqui na terra, o espírito perdoador.

“Não podemos impedir que os pássaros voem sobre nossas cabeças; porém podemos impedir perfeitamente que eles façam ninhos sobre eleas”, é um antigo e cnhecido provérbio.

Conta-nos Mody que certo jovem foi julgado por um tribunal militar e condenado à morte por fuzilamento. Seus pais ficaram com o coração sangrando pelo sofrimento, quando receberam a notícia. Uma filha, irmã do condenado, que havia lido a história de Abraão Lincoln, disse: “Se Abraão Lincoln soubesse o quanto meu pai ama meu irmão, certamente não consentiria em sua execução. A jovem iniciou com o seu pai o seguinte diálogo:

- Pai, vá a Washington e peça ao Presidente perdão para o seu filho.

- Não adianta, é inútil. O processo tem o seu curso a seguir. Recusaram a perdoar a um ou dois que foram condenados militarmente à morte e há uma ordem pela qual o Presidente não pode intervir. Se um homem foi condenado em processo militar, tem que sofrer as conseqüências. Os pais do jovem não tinham fé, nem podiam acreditar que o filho pudesse ser perdoado. A jovem, porém, que era pouco mais do que uma menina, não pensava do mesmo modo. Por isso, fugiu de casa e resolveu fazer o que o pai recusou-se a fazer. Tomou o trem, foi a Washington, indo direto à Casa Branca, casa dos presidentes norte-americanos. Quis falar diretamente ao Presidente, mas os guardas não deixaram. Contou-lhes ela a razão de sua chegada à capital e por que desejava falar pessoalmente a Lincoln. Diante do que ouviram, deixaram-na entrar. Chegou à secretaria, e não lhe foi permitido falar pessoalmente ao Presidente. A menina repetiu os motivos de sua presença ali na Casa Branca. Penalizado com a situação, o secretário levou-a ao Presidente, que estava em reunião com os generais, governadores e estadistas ilustres. Diante do que presenciava, a menina ficou indecisa. Foi-lhe ao encontro, e, finalmente, a menina, na sua linguagem infantil, contou ao Presidente o motivo de sua presença ali. Lincoln, que também era pai, ouviu atenciosamente a sua história. Dos seus olhos correram grossas lágrimas. Ficou profundamente emocionado com tudo que ouvira. Sentou-se à sua mesa de trabalho, escreveu uma ordem pela qual determinava que o jovem viesse á sua presença, imediatamente. Quando este chegou, o Presidente contou-lhe o que havia ouvido de sua irmãzinha, indulto-o, dando lhe trinta dias de licença e mandando que fosse com ela à casa dos pais, para alegrar seus corações. Ao final dos trinta dias, o jovem retornou à presença do Presidente, para ser executado, como previsto. Lincoln teve compaixão, e , não obstante o seu crime, compreendeu que ele estava arrependido e não fugiu à responsabilidade. Finalmente, a pena de morte foi permutada pela prisão perpétua.

Como é maravilhosa e incomensurável a força do amor! Como faz bem à nossa alma perdoar, até mesmo ao nosso pior inimigo! Chega até a rejuvenecer-nos através da saúde que nos é propiciada. Desarraiguemos de nosso interior esse ignóbil sentimento, e o sol da justiça brilhará com mais intensidade nos céus de nossa vidas.

Fonte: Visão Missionária – Pr. Rômulo Vieira Telles

 

 
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